segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Ataque a um ouriço-cacheiro

Valente trabalha como vigilante noturno. Curioso como todo cão, essa semana causou a morte de um ouriço cacheiro.

O Coendou villosus, vulgarmente chamado de ouriço-cachoeiro, ouriço-cacheiro, Luiz-cacheiro, é encontrado em florestas tropicais na Venezuela, nas Guianas, no Brasil e na Bolívia. Pode ser encontrado na cidade devido a invasão do homem em seu ambiente natural, destruição das árvores típicas do seu habitat e queimadas. É uma espécie de roedor arborícola, de cerca de 1 kg, de hábitos noturnos, que possui comportamento lento e discreto, sendo de difícil observação. Os espinhos já se encontram em seu corpo quando nascem, porém ainda não rígidos, endurecendo com o suceder dos anos, garantindo uma ótima proteção contra os predadores, como as raposas.


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O ouriço é inofensivo, nunca ataca e nem foge, apenas se defende eriçando seus espinhos, que ao contrario do que pensam não são lançados no inimigo, mas apenas se desprendem com o contato. A ponta do espinho como um arpão possui escamas voltadas para a base do espinho, que ao penetrar na pele tende a se aprofundar e torna difícil sua extração.

Os ouriços começam a ficar bastante ativos no final do dia, e a noite, saem a procura de alimento. Na ausência de alimento na cidade, são atraídos pela ração dos animais. E?!....

Como pode-se imaginar o cão normalmente sofre o acidente na boca, e apresenta dor local, tem ânsia de vômito, saliva muito e tenta com suas patas anteriores se ver livre destes espinhos.


É necessário a sedação e anestesia do cão, para a extração cuidadosa do espinho para não rompê-lo, incluindo a extração daqueles que estão completamente por baixo da pele.



A dor provocada pelo acidente é evidente, e a utilização de analgésicos, antiinflamatórios e antimicrobianos torna-se fundamental.

O acidente não traz maiores conseqüências, e ao contrário do que popularmente é dito, o espinho não anda, não vai até o coração causando a morte do animal, ele permanece enclausurado na região atingida.


Com tanto espinho para remover, contei com o auxílio da minha mãe.



Que sufoco,...

O valente retornou as suas atividades, com todo vigor e exuberância, que só ele tem.



REFERÊNCIAS

SOARES, J. F. et al. Parasitismo por Giardia sp. e Cryptosporidium sp. em Coendou villosus. Ciência Rural, Santa Maria, v.38, n.2, p.548-550, mar-abr, 2008.

CANDISANI, L. Bio. www.editorasaraiva.com.br/biosonialopes