sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Parasitas Intestinais

Cuca não tem uma história feliz. Ela foi achada na rua,.... trafegava em uma rua movimentada e corria o risco de morrer atropelada. Foi recolhida, examinada e no período que esteve na clínica foi vermifugada, pois apresentava o abdômen distendido. Esperávamos encontrar algumas larvas nas fezes, mas o que se viu nas fezes e no ânus, foram várias larvas adultas de Toxocara canis.




Os vermes intestinais são parasitas que, quando adultos, instalam-se no aparelho digestivo e trazem riscos para a saúde dos seus amigos de estimação, a sua e de toda a família.

Além de sua importância veterinária, essa espécie é responsável pela forma amplamente identificada de larva migrans visceral no homem, frente à associação restrita e íntima entre o homem e os animais.

Toxocara canis é um ascarídeo parasito do intestino delgado de cães, com distribuição cosmopolita. É um grande verme branco de até 10 cm de comprimento e no cão pode ser confundido apenas com Toxascaris leonina. A diferenciação dessas duas espécies é difícil, pois a única característica útil, visível com uma lupa, é a presença de um pequeno processo digitiforme na cauda do T. canis macho. A fêmea deposita aproximadamente 200.000 ovos por dia, que são eliminados no ambiente através das fezes do cão parasitado. Os ovos, muito resistentes, aderem ao chão

Ciclo evolutivo
Essa espécie tem o ciclo mais complexo na superfamília (Ascaridoidea), com quatro modos possíveis de infecção.

Após quatro semanas, o ovo passa a conter L2, uma larva infectante. Após a ingestão e eclosão no intestino delgado, as L2 caem na circulação sanguínea via fígado para os pulmões, onde tem lugar a segunda muda, e as L3 retornam via traquéia ao intestino, onde se dão as duas mudas finais. Essa forma de infecção ocorre regularmente apenas em cães de até três meses de idade.

Embora menos frequente, há a migração hepatotraqueal, em cães com idade superior a três meses. Aos seis meses, ela quase cessa. As L2 seguem para uma variedade de tecidos, incluindo fígado, pulmões, cérebro, coração, musculatura esquelética e paredes do trato digestivo.

Na cadela prenhe, ocorre infecção pré-natal, as larvas mobilizando-se cerca de três semanas antes do parto e migrando para os pulmões do feto, onde mudam para L3 exatamente antes do parto. Quando o cão nasce, o ciclo se completa e as larvas vão para o intestino, através da traqueia, e ocorrem as mudas finais. A cadela uma vez infectada, usualmente abriga larvas suficientes para infectar todas as ninhadas subseqüentes, mesmo que nunca mais entre em contato com uma infecção. Algumas dessas larvas mobilizadas em vez de ir para o útero completam a migração normal da cadela, e os vermes adultos restantes produzem aumento transitório, mas acentuado, na produção de ovos de Toxocara nas fezes nas semanas que se seguem ao parto.

Os cães que ainda mamam pode se infectar ingerindo leite durante as três primeiras semanas de vida, pois a larva segue direto para o intestino.

Os cães podem ingerir roedores ou aves, que podem ingerir ovos infectantes. A partir daí, ocorre o desenvolvimento do parasito, que me limita ao trato gastrointestinal.

Larva migrans visceral e ocular no homem
O homem se infecta ingerindo a larva L3 dentro do ovo, frequentemente por Toxocara canis e Toxocara cati, no intestino delgado ocorre a eclosão e as L3 penetram na parede intestinal e migram por vários tecidos do corpo e muitas vezes atigem a região ocular. Seres humanos e outros mamíferos quando infectados por larvas de Toxocara canis comportam-se como hospedeiros paratênicos, não permitindo o desenvolvimento completo do helminto.



Sinais clínicos

Pode haver tosse, aumento da frequência respiratória e corrimento nasal, devido à migração das larvas para o pulmão e, por conseguinte, pneumonia, que às vezes é acompanhada de edema pulmonar e, ainda, inflamação do muco, causando oclusão parcial ou total do intestino, bem como diarreia, pelagem rala, crescimento retardado e, em grandes infecções, vômito do verme ou presença dele nas fezes do animal.


Diagnóstico

O diagnóstico é feito através de um exame de fezes, pois é de fácil visualização, dispensando o Método de Flutuação. Basta uma fina camada de fezes numa lâmina de vidro, com uma gota d'água. Nos recém-nascidos o diagnóstico é baseado nos sinais pneumônicos da ninhada, devido ao fato de haver dificuldade de localizar ovos nas fezes e, sobretudo, porque uma grande carga parasitária pode provocar sinais antes de os vermes amadurecerem e começarem a liberar ovos nas fezes dos animais.

Tratamento

Verifique o peso do seu cão para calcular a dose correta para o tratamento. Recomenda-se o tratamento da fêmea antes da cobertura e 10 dias antes do parto. Os filhotes podem ser tratados durante a lactação e após o desmame, com 2, 4, 8 e 12 semanas e aos 4, 5 e 6 meses. Deve-se vermifugar a cadela ao mesmo tempo que a ninhada. Os adultos podem ser vermifugados a cada 3 meses.


Como prevenir?
Algumas medidas de prevenção da toxocaríase seriam o controle da população canina, a educação do público sobre o potencial zoonótico desse nematóide e a limitação do acesso de animais a áreas de lazer. Por outro lado, a alta resistência dos ovos no ambiente e a dificuldade de desinfecção justificam a necessidade da implementação de medidas alternativas que ajudem na descontaminação do solo, sendo essa a principal fonte de contaminação. Então ao passear com o seu animal, recolha as fezes.


Antes de lavar o ambiente, recolha as fezes do animal para não aumentar a contaminação ambiental;

Use produtos de limpeza indicados para o controle dos agentes causadores de zoonoses, como amônia quaternária ou água sanitária;

Higienize comedouros e bebedouros com freqüência;

Referências

F. N. L.; B.F.R.; S. A.R.; A.J.V.; F. S.R.; F. L.G. Destruição de ovos de Toxocara canis pelo fungo nematófago Pochonia chlamydosporia. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical 43(1):102-104, jan-fev, 2010.

http://www.bayerpet.com.br/produtos/amigo.aspx?especie=1&categoria=4