domingo, 17 de julho de 2011

BRASILEISH


No dia 17 de junho de 2011, na sede do Conselho Regional de Medicina Veterinária Regional Minas Gerais (CRMV MG), foi criada uma associação científica, que pretende reunir médicos veterinários clínicos de pequenos animais, para o estudo da Leishmaniose em animais. Essa associação adotou o nome de BRASILEISH – Grupo de Estudos sobre Leishmaniose Animal. Os membros fundadores do BRASILEISH são os médicos veterinários André Luis Soares da Fonseca, Fábio dos Santos Nogueira, Ingrid Menz, Manfredo Werkhauser, Paulo Tabanez, Sydnei Magno da Silva e Vitor Márcio Ribeiro, que se inspiraram nos colegas europeus quando criaram o LEISHVET.

O QUE SERÁ O BRASILEISH
Identidade:
Associação de caráter científico formada por veterinários, sem fins lucrativos, dedicada à pesquisa e orientação ao manejo clínico de Leishmaniose em animais na Medicina Veterinária do Brasil.

Princípio:
Defesa e respeito à vida humana e animal, pautados em valores éticos e científicos.

Objetivos:
- Orientar os clínicos veterinários e discutir junto as autoridades sanitárias sobre os melhores métodos diagnósticos, tratamentos e medidas de prevenção da Leishmaniose nos animais
- Orientar os órgãos de classe, entre eles o CFMV e CRMVs, sobre as evidencias cientificas da doença nos animais
- Estabelecer recomendações que sejam reconhecidas a nível nacional e internacional
- Orientar a população, através da mídia e eventos populares, sobre a prevenção, tratamento e realidade da doença no país
- Estudar, elaborar e executar trabalhos de pesquisa destinados ao manejo da doença nos animais
- Disponibilizar diálogo com todas as instituições de outras profissões e organizações não governamentais sobre os aspectos da Leishmaniose nos animais

Médicos veterinários de todo o país comprometidos com a defesa e respeito à vida humana e animal serão convidados a compor o quadro social do BRASILEISH. A próxima reunião do BRASILEISH ocorrerá no dia 28 de outubro de 2011, em Belo Horizonte, véspera do VIII Simpósio Internacional de Leishmaniose Visceral Canina. Haverá durante o Simpósio, a apresentação do BRASILEISH aos médicos veterinários.

O BRASILEISH está ligado à ANCLIVEPA MG na organização do VIII Simpósio Internacional de Leishmaniose Visceral Canina, que será realizado nos dias 29 e 30 de outubro de 2011 e terá o tema : “Leishmaniose Visceral Canina x Centro de Controle de Zoonoses – Realidade na Europa e no Brasil. ” Nosso convidado especial será o Dr. Javier Lucientes, chefe do Centro de Controle de Zoonoses da cidade de Madri – Espanha e que foi o consultor europeu da Organização Mundial de Saúde durante o Encontro de Expertos em Leishmaniose Visceral nas Américas promovido pela Organização Panamericana de Saúde e Ministério da Saúde do Brasil, ocorrido em Brasília, Brasil, em 2005.







terça-feira, 5 de julho de 2011

Estado de Minas - Gerais: Leishmaniose se alastra em Minas

Estado de Minas - Gerais: Leishmaniose se alastra em Minas

Luciane Evans -
Publicação: 05/07/2011 06:00 Atualização: 05/07/2011 07:49

Está prestes a cair por terra o que há muito o Brasil sustenta como a melhor forma de se combater a leishmaniose. A doença, que se alastrou por Minas Gerais nos últimos nove anos, tem feito estragos no estado, dando sinais de que a batalha pode estar perdida. Mesmo apostando na eutanásia de cães para o controle desse mal, numa década o número de casos cresceu 278% em Minas, saindo dos 200 registrados em 2001 e passando para 556, em 2010. Antes, a enfermidade atingia 46 municípios e, em 2010, chegou a 200. Os óbitos mais do que dobraram, passando de 25 para 57, um crescimento de 128%. Neste ano, já são 134 mineiros infectados, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES). Em Belo Horizonte, até maio, 3 mil cães foram sacrificados. Para especialistas, esses são sinais claros de que o país está dando murro em ponta de faca no controle da leishmaniose, que custa, anualmente, R$ 10 milhões à Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) de BH.
Conheça os perigos da leishmaniose
Para apimentar essa antiga polêmica e apontar novos caminhos nessa guerra, uma pesquisa conjunta da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) provou que, nessa história, não só os cachorros são os vilões. Os gatos podem ser também transmissores da doença. Em 2009, a aluna de medicina veterinária da PUC Minas Priscila Fonte Boa Rabelo repetiu o exame de sangue que atualmente é feito em cães em 86 felinos de Belo Horizonte. Em 40% deles o teste foi positivo. TestesCom a orientação de Sidney Magno da Silva, professor substituto do Departamento de Parasitologia do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG, e do professor de doenças infecciosas de cães e gatos da PUC Minas Vitor Márcio Ribeiro, o estudo foi mais longe. “Sete gatos com sorologia positiva para a doença foram testados. Fizemos punção de medula óssea e cinco demonstraram o DNA do parasito. Três foram submetidos ao xenodiagnóstico, que é quando colocamos o mosquitinho para se alimentar no gato. Cinco dias depois, as fêmeas de Lutzomyia longipalpis foram dissecadas e encontramos a forma evolutiva do parasito no seu tubo digestivo”, descreve. “A última fase da pesquisa foi submeter um modelo experimental (hamster) a essas fêmeas de L. longipalpis alimentadas nesses gatos naturalmente infectados, e foi identificada a transmissão, sugerindo a participação do gato no ciclo de transmissão de Leishmania infantum no Brasil”, detalha Priscila, acrescentando que uma experiência como essa foi feita apenas na Itália, onde se obteve a mesma resposta. De acordo com Silva, isso quer dizer que o felino pode ser um transmissor em potencial. “Por isso, continuamos a pesquisa com mais 200 gatos da cidade, para que possamos ampliar essa comprovação”, revela, dizendo que não se pode colocar o bichano no mesmo degrau do cão. “O felino pode estar ajudando a manter a doença em circulação”, aposta. Para Ribeiro, o experimento é uma prova concreta de que a estratégia de matar cães contaminados está equivocada. “Não é a melhor forma, uma vez que a doença pode ser transmitida por outros animais. Há estudos que mostram que o gambá pode ser um transmissor. No Brasil, outras pesquisas têm mostrado o aumento da enfermidade na população felina e isso é preocupante”, comenta, sugerindo que a estratégia seria o controle do inseto. Mas, mesmo conhecendo a pesquisa e reconhecendo a importância dela, autoridades municipais e estaduais não concordam que é preciso mudar as políticas públicas de controle da doença. “A política tem que ser baseada no reservatório da enfermidade, que é o cão. A pesquisa não tem importância epidemiológica definida”, defende o superintendente de Epidemiologia da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Francisco Lemos. De acordo com o secretário adjunto da SMSA, Fabiano Pimenta, a questão sobre o gato ainda não está evidenciada e haveria necessidade de expandir as pesquisas para comprovar a suspeita. TratamentoEnquanto o Brasil continua entre os países que optam pelo sacrifício de cães, muitos veterinários já defendem o tratamento da doença nos cachorros, não para curá-los, mas controlar a enfermidade no animal, sem permitir que ela tenha potencial de transmissão. A psicóloga Flávia Damato apostou nessa alternativa. Dona de cinco cães, Flávia descobriu, no ano passado, que eles estavam doentes. “Não quis sacrificá-los e os veterinários indicaram o tratamento. Importei medicamentos da Espanha. Foram injeções diárias no primeiro mês. Atualmente, eles tomam medicamentos diários e sempre fazem exames para avaliar se tem havido transmissão”, conta, acrescentando que ninguém da família apresentou sintomas de uma possível infecção. De acordo com dados da Secretaria de Estado de Saúde, (SES), Minas registrou, em 2001 , 200 casos confirmados e, em 2010, foram 556. Segundo o superintendente da SES, Francisco Lemos, 57 pessoas perderam a vida, contra 25 naquele ano. O que equivale a crescimento de 128% na comparação anual do número de óbitos. Em Belo Horizonte, de acordo com Fabiano Pimenta, em 2009 houve 148 casos e, em 2010, 134. Neste ano, até maio, são 24. “Essa diminuição é a soma de vários fatores. Conseguimos aumentar a nossa capacidade operacional, fizemos 153 mil amostras em 2009, sendo 10.475 positivas. Em 2010, foram 196 mil exames. Não aumentamos o número de cachorros sacrificados, mas houve um crescimento na quantidade de testes”, detalha Pimenta.