sábado, 29 de outubro de 2011

VIII Congresso Internacional de Leishmaniose Visceral Canina

Começou hoje o Simpósio Internacional de Leishmaniose Canina. Organizada pela Brasileish e Anclivepa, teve uma platéia de aproximadamente 250 pessoas, publico esse de diversas regiões do Brasil (Santa Catarina, Piauí, Maranhão, Goiania, Rio de Janeiro, São Paulo e outros estados), além de colegas da Argentina, Paraguai e Espanha.

Dr. Javier Encinas Aragon, iniciou o simpósio, expondo a realidade da doença em seu país, e a primordial diferença na transmissão da leishmaniose visceral canina é o vetor, que é o P. perniciosus e P.Ariasi, aqui no Brasil o vetor responsável pela infecção pela Leishmania infantum é a Lutzomyia longipalpis.

O padrão epidemiológico da doença vem se alterando.



O diagnóstico da doença no cão é sempre aliado a anamnese, exploração clínica do veterinário e diagnóstico laboratorial.


Segue alguns dados da soroprevalência da LVC na Europa.



E há também casos de Leishmaniose visceral felina, com dados desde 2008.




E é claro outros reservatórios




Quanto ao tratamento, vocês podem verificar os protocolos no resumo publicado “Consulta de espertos OPS/OMS sobre Leishmaniasis Visceral em lãs Américas”, no endereço http://bvs1.panaftosa.org.br/local/file/textoc/LEANES_Inf_final_leish_2005.pdf#page=41, a novidade de 2005 para cá, é a utilização de auto vacinas, que é produzida a partir de material aspirado de linfonodo do paciente infectado. Esse material é submetido a um cultivo especial, adicionada a um adjuvante. Esse material é aplicado no próprio paciente e é capaz de estimular uma resposta imune celular.




Como medida preventiva, é utilizada nos cães a partir de 6 meses a vacina da Virbac “CanilLeish”, que é produzida com fragmentos da Leishmania infantum.
http://62.128.142.38/vbcompuben/display.aspx?srv=p-vbcom&typ=pub&lang=en&cmd=view%7Clist&style=styles/webnew.xsl&select=WEBNEW%5B@ID$eq$WEBNEW_44%5D%7CWEBNEW%5Bfk_enum_THEME$eq$6%5D&order-by=-@ONDATE%7C-@ONDATE
Os animais abandonados são castrados e doados, e existe uma consciência da população com posse responsável, na Europa é obrigatório o uso da identificação eletrônica, o chip, nos animais.
E vejam a diferença no canil do seu CCZ




Dr. Carlos Henrique Nery Costa, http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4788185U6, esteve presente também no simpósio de 2009, e assim como no outro deixou sua mensagem para refletirmos sobre nossas próprias atitudes. Vejam:



O calazar zoonótico, uma doença fatal causada por protozoários do gênero Leishmania, é considerada fora de controle, particularmente no Brasil, onde se urbaniza e a letalidade aumenta.




Apesar de ser uma medida muito controversa, o governo brasileiro abate cães soropositivos regularmente para controlar a doença, um modelo arcaico copiado da China e da União Soviética nos anos 50.





Uma vez que não existem evidências de que o abate de cães diminui a transmissão de leishmaniose visceral, este programa deve ser abandonado como estratégia de controle. São levantadas as implicações éticas acerca da distorção da ciência e sobre a eliminação de animais na ausência de mínima ou nenhuma evidência científica.




Os conceitos estabelecidos devem ser revistos.


Dr. Nordman Wall B. Carvalho Filho, esteve como palestrante em edições passadas e hoje pode dividir com a classe veterinária, suas idéias, sua paixão e seu entusiasmo em ser médico veterinário. Critico, determinado e a favor da saúde animal.







Completando esse slid


“Se a lei é injusta, não deve ser seguida” Citado pelo professor Dr. Vitor Marcio


Eu sou a favor da vida. E você?




























quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Urolitiase em caes

Caso da Mel
Mel foi submetida a cirurgia de Luxação de patela e poucos dias após a cirurgia, começou a urinar com sangue e com uma maior freqüência durante o dia. A suspeita inicial era cistite bacteriana. Como não houve melhora com o tratamento, Mel foi submetida a ultrasom abdominal.

O ultrasom abdominal teve a função principal de identificar o urólito de aproximadamente 3 cm de contorno.
Pelo tamanho do urólito, ela foi submetida a cistotomia para remoção do cálculo, pois não havia diâmetro compatível para sua passagem pela uretra.










Para entender um pouco
O sistema urinário de animais terrestres tem habilidade de formar urina concentrada em solutos, sendo que uma de suas funções seria a eliminação de resíduos na forma líquida. Porem em condições específicas, alguns resíduos, especialmente minerais, precipitam e formam cristais. Casos os cristais permaneçam retidos no sistema urinário, esses podem se combinar com matriz orgânica e/ou outros minerais, formando aglomerados que poderão atingir volumes maiores e formar pedras.

A urolitiase ocorre com relativa freqüência dentre as afecções que acometem o trato urinário inferior de cães e gatos, e muitas vezes, é recidivante. Urólitos são agregados de material cristalino e matriz que se forma em um ou mais locais dentro do trato urinário, embora em cães a grande maioria ocorra na bexiga, quando a urina se torna supersaturada com substâncias cristalogênicas.

Esse fator, aliado à diminuição na freqüência de micção, são as causas principais da formação de cristais e urólitos. A formação dos urólitos está relacionada a fatores dietéticos e não dietéticos. Entre os fatores não dietéticos estão a raça, idade, infecção do trato urinário e sexo. A composição da dieta pode interferir tanto no aparecimento quanto na prevenção de recidivas de urolitíases, já que a mesma afeta a densidade específica, o volume e o pH urinário. Cães de raças pequenas e gatos alimentados com rações contendo baixo teor de umidade (secas) tendem a urinar com menor freqüência e produzir uma quantidade menor de urina, porém mais concentrada, aumentando as chances de ocorrência da urolitíase.

Os urólitos são classificados de acordo com sua composição mineral, localização no trato urinário e forma, sendo os de estruvita, oxalato de cálcio, urato, misto, silicato e cistina os principais encontrados em cães e gatos.

O conhecimento da composição do cálculo urinário é essencial para o melhor entendimento da urolitiase nos animais, e consequentemente para intituição de terapia adequada e efetiva, como também para a prevenção de recidivas.



A Mel está ótima, em casa.
Aguardamos a análise do cálculo.




Referências Bibliográficas


MONFERDINI, R. P.; OLIVEIRA, J. Manejo Nutricional para cães e gatos com urolitíase – Revisão Bibliográfica. Acta Veterinaria Brasilica, v.3, n.1, p.1-4, 2009.

OYAFUSO, M.K. Estudo Retrospectivo da Urolitíase em Cães – Dissertação (Mestrado) – Universidade de São Paulo, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia. Departamento de Clínica Médica, 2008. 146 f.