segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Hipoglicemia em cães

Pompom é uma poodle de meia idade. Foi atendida com alteração no estado mental, letargia, choque, hipotermia, bradicardia, pulso fraco, com sinais de vômito, halitose, perda de peso após a castração e alteração no trato gastro intestinal. Foi realizado tratamento emergencial, pois encontrava-se em uma crise hipoglicêmica.


Os sinais que Pompom apresentou inicialmente foram atribuídos a vários distúrbios, como: hipoadrenocorticismo, pancreatite, tumor no pâncreas, Ingestão de corpo linear, Helicobacter, ausência de alimentação, Gastrite.....

Na ultrasonografia, não foi possível visualizar o pâncreas, e muito menos a glândula adrenal. O que se viu foi estômago apresentando aumento de espessura em sua parede, mucosa irregular e motilidade aumentada. Esses parâmetros sugeriam corpo estranho linear e a possibilidade de uma laparotomia exploratória em um intervalo de 48 horas não foi descartada. Esse aumento da motilidade também poderia provocar uma intussuscepção. Ou seja, a torcida pela recuperação da Pompom foi grande.

Os resultados laboratoriais não fecharam o diagnóstico, mas a hipótese de ser hipoadrenocorticismo não foi descartada. A Pompom passa bem, está sob medicação e recupera-se agora em casa.


Pompom na cama de seus tutores

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Combinados

Vejam só o que preparamos para os bichinhos....



























quarta-feira, 2 de novembro de 2011

VIII Simposio Internacional de Leishmaniose Visceral Canina

Somente hoje pude postar as informações do segundo dia do VIII Simpósio Internacional de Leishmaniose Visceral Canina. O dia foi muito cheio, muitas informações, algumas não tão novas e discussões.


A Leishmaniose visceral canina vem merecendo atenção especial por parte dos clínicos veterinários e profissionais da saúde pública. O enfoque dado para eutanásia dos cães, tem demonstrado ser ineficaz e dispendioso.

A leishmaniose visceral canina é uma doença infecciosa e não contagiosa, ou seja, ela é transmitida para outro cão ou ser humano, através da picada da fêmea de flebotomíneo infectada. O principal transmissor da infecção na maior parte do Brasil é a fêmea de flebotomineo Lutzomyia longipalpis, que não tem uma estação de transmissão definida.


Ainda existe uma boa parcela da classe veterinária que ainda não conhece o tratamento e a prevenção da leishmaniose, entretanto, a falta de conhecimento deles não pode impedir o tratamento dos cães pelos seus tutores.

O tratamento não é forma de controle.
O controle é feito com coleira para prevenir o inseto (Scalibor), repelentes no animal (Defendog, Advantage Max 3, Pulvex) e no ambiente (K-otrine), limpeza do ambiente para evitar material orgânico, evitar passeios nos horários de crepúsculo, telar os canis, vacinação (Leishmune e/ou LeisTec).


Tratamento é uma forma de controle individual, mesmo porque ocorrem recidivas mais frequentes no cão. Eutanásia é a última forma de controle e, de fato, a menos eficiente. Prova disso é que a política brasileira de prevenção da doença, por meio da eutanásia de milhares de cães, não proporcionou nos últimos 50 anos nenhuma mudança no controle da doença.

A vacina já está disponível em vários lugares do país. Hoje se tem no mercado a Leishmune, da Fort Dodge, que é aquela que vários veterinários não preconizam porque dizem que não diferenciarão os infectados dos vacinados (mentira ou desinformação), e a Leishtec, da Hertape Calier, que a propaganda é justamente alicerçada em não reações vacinais e cruzada em sorologias.

Entretanto, se já houver um animal infectado em sua casa, não entre em desespero! O tratamento, a vacinação e a utilização de repelentes em cão infectado com leishmaniose não o tornam um risco para sua família ou vizinhos; e pode levar à cura clínica (sem sinais de doença) e à cura epidemiológica (não transmissor da infecção).

Estudos explanados nesse simpósio demonstraram “cura parasitológica” em 50 % dos animais estudados. No entanto a nanotecnologia utilizada na manipulação dos fármacos ainda é muito cara, e não está disponível a comunidade veterinária, ficando restrita somente a comunidade cientifica.






Diagnóstico

Vale ainda relembrar, que o diagnóstico laboratorial complementa uma suspeita clinica, e o diagnóstico de uma doença só é dado pelo médico veterinário.
Em áreas endêmicas, nem todos os animais que são infectados com Leishmania desenvolvem a enfermidade, no entanto o percentual de cães resistentes à enfermidade não está totalmente estabelecido.
Durante o curso da doença pode haver proliferação generalizada do parasito, colonizando órgãos linfóides e não linfóides (linfonodos, baço, medula óssea, fígado, rim, pâncreas, intestino, testículo, pulmão, olhos, articulação...) e indução de uma reação granulomatosa com número variável de formas amastigotas . Ocorre ainda proliferação de linfócitos B, histiócitos, macrófagos, plasmócitos, resultando em linfoadenopatia generalizada e algumas vezes hepatoesplenomegalia.
A sorologia na clínica de pequenos animais é usada como triagem frente a uma suspeita clinica. Diversas técnicas sorodiagnósticas são utilizadas na busca de anticorpos específicos da doença, principalmente a reação de imunoflorescência indireta (RIFI), ensaio de ELISA, reação de fixação de complemento, teste de aglutinação direta e Western blotting. Além desses exames há os exames parasitológicos e os moleculares.
Veja o que mudou
A reação de imunofluorescência indireta (RIFI), utilizada a partir da década de 60, é considerada no Brasil, como confirmatório para o resultado do teste ELISA, mas devemos ter cuidado na sua interpretação, pois é um teste subjetivo que depende da experiência do observador para a titulação/ diluição preconizada no Brasil (1:40), e essa titulação de anticorpos nesse exame, não sustenta eutanásia de cães.
Vejam como Dr. Paulo Tabanez ironiza a diluição que é preconizada atualmente.


A literatura científica mundial estabelece que apenas títulos iguais ou superiores a 1:160 sejam confirmatórios.


O diagnóstico da LVC representa um desafio real ao clínico veterinário, pela presença de animais assintomáticos, pela diversidade da sintomatologia clínica apresentada e pela dificuldade em se obter uma prova diagnóstica que ofereça 100% de sensibilidade e especificidade.

Quer ficar por dentro?
Cadastre-se no site http://www.brasileish.com.br/. É uma associação de caráter científico formada por veterinários, sem fins lucrativos, dedicada à pesquisa e orientação ao manejo clínico de Leishmaniose em animais na Medicina Veterinária do Brasil.

Referência Bibliográfica
Nogueira, Fábio dos Santos. Avaliação clínico-laboratorial de cães naturalmente infectados por Leishmaniose visceral, submetidos à terapia com anfotericina. Tese (doutorado) – Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Botucatu, 2007.

Paulo Tabanez – Médico Veterinário, Especialista em Clínica e Cirurgia de Pequenos Animais, Mestre em Imunologia pela Universidade de Brasília e Diretor da Clínica Veterinária Prontovet.