sexta-feira, 25 de julho de 2014

Dois pesos uma medida

O Spok é um cão, Cocker, de 13 anos. Seu tutor, um senhor muito simpático, ficou preocupado, pois notou um aumento de volume na sua bochecha. Havia um nódulo, um caroço, aquela doença. Tão ruim que não merecia nem sequer ser mencionada. Esse caroço atrapalhava a ingestão de água, comida, e como estava entre os dentes, era mordiscava o tempo todo, exalando um cheiro desagradável (carniça) e atraindo moscas. Ele chegou aqui com varigeira (miiase). Sua brabeza era proporcional a sua dor, que logo foi solucionada.

Diagnóstico do Patologista: Melanoma amelanótico. As células neoplásicas não sintetizam melanina intracitoplasmática, e devido a esta característica, podem induzir um diagnóstico errôneo, pois histologicamente podem mimetizar outros neoplasmas, como linfomas, carcinomas pouco diferenciados, tumores neuroendócrinos, sarcomas pouco diferenciados e tumores de células germinativas. A distinção entre um melanoma amelanótico e outros neoplasmas pobremente diferenciadas é um desafio ao patologista. A melanina intracitoplasmática é um marcados distinto de melanomas, no entanto, essa não é sintetizada em subtipos amelanóticos, ou está presente em raras células neoplásicas podendo ser confundida com outros pigmentos. O diagnóstico mais preciso nos casos de melanoma amelanótico é a associação da histopatologia com a imuno-histoquímica (IHQ), visto que a confirmação da IHQ é frequentemente necessária para estabelecer o prognóstico e a terapêutica mais adequados. Portanto alguns estudos tem demonstrado a utilização de marcadores úteis na diferenciação dos melanomas dos demais tumores.

Os melanomas amelanóticos foram observados principalmente na cavidade oral e representam 57,1% dos casos. O comportamento maligno das neoplasias melanócíticas é amplamente dependente da localização do tumor, de maneira que a grande maioria dos melanomas orais é considerada maligna. O melanoma é mais comum em cães velhos. Cães com a pele pigmentada são mais predispostos. Dos cães com raça definida, os mais afetados foram Poodle, Dachshund e Cocker.

Tratamento: Diante do crescimento rápido da neoplasia, localizada próximo aosdentes pré molares da região da mandibula, que apresentava a superfície alterada, odor fétido devido a lesões necróticas ricas em sangue, dor e incomodo ao animal foi proposto excisão cirúrgica com ampla margem de segurança. O ideal era a remoção da mandíbula (mandibulectomia), levando em consideração o alto poder metastático da neoplasia. Questões como a idade do animal e qualidade de vida foram ponderadas. A quimioterapia foi proposta.

O Spok passa bem e feliz, com seus 13 anos.

Animal entubado, sendo preparado para exerese da massa tumoral

pós cirurgia imediato

7 dias após a cirurgia





Fonte:
Veronica M. Rolim; Renata A. Casagrande; Tatiane T. Watanabe; Angelica T. Wouters; Flademir Wouters; Luciana Sonne e David Driemeier. Melanoma amelanótico em cães: estudo retrospectivo de 35 casos (2004-2010) e caracterização imuno-histoquímica. Pesq. Vet. Bras. 32(4):340-346, abril 2012.


B Kemper; G O Carvalho; S M Trapp; W Okano; F N Padilha. Melanoma oral em cão. Relato de três casos. Medicina Veterinária, Recife, v.6, n.1, p.18-23, jan-mar, 2012

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Porque a gente tem que fazer o que deve ser feito

A primeira vista é claro que fazemos uma leitura visual do aspecto do animal e temos sim nossa primeira impressão. E nossa primeira impressão pode não ser a mais justa.

Porque aquela alteração, que incomoda o dono, surgiu ontem! Mas ontem não deu para levar no veterinário, por falta de tempo, por falta de dinheiro, por falta de paciência.... Então o ontem, de anteontem, da semana passada, progrediu junto com a alteração demonstrada hoje.

Não é só dono de bicho que faz isso não. Quantas vezes protelamos assuntos que não deveriam ser protelados? Porque não organizamos nosso tempo adequadamente? Aí quando batemos nosso carro, ou quando somos requisitados para um funeral por exemplo, nossas prioridades mudam!

Então quando adiamos alguma coisa é porque não queremos fazer aquilo, por vários motivos. 

Mas se você tem um bichinho, não protele em cuidar dele.

Eu entendo que quando um proprietário procura uma casa de ração, um leigo, está buscando uma alternativa mais barata para resolver o seu problema. Assim como nós todos, compramos DVD´s piratas, ou coisas mais acessíveis que necessitamos. Um médico veterinário, que é o profissional preparado para atender, já tem suas limitações, imagina um leigo, que aplica vacina de gato em cachorro achando que assim ele vai começar a miar!!!!

Eu fico apavorada quando atendo um bichinho que sente dor crônica. Tento compreender o seu dono, porque qualquer que seja a sua trajetória, de falta de informação ou de informação errada, ele também sofre internamente por ter procurado ajuda tarde demais. E talvez esse seja seu martírio. 

#emoçãoxrazão

terça-feira, 25 de março de 2014

Como ter cães e gatos sem pulgas

Pulgas são excelentes saltadoras, podendo saltar aproximadamente 18 centímetros na vertical e 33 na horizontal, e muito resistentes, graças a presença de placas na superfície de seu corpo.

Se quisessem as pulgas poderiam ganhar a vida como atletas, pois algumas podem pular a distância equivalente a 100 vezes o tamanho do próprio corpo: se medem 3 mm, pode dar um salto de até 30 cm. Isso equivale a uma pessoa de 1,70m dar um pulo de 170 m. Cada andar de um prédio equivale a aproximadamente 3 m, então 57 andares.

Na ausência de alimento, podem ficar meses sem alimentar-se, permitindo sua sobrevivência. Muitas delas se alimentam de sangue de mamíferos e aves, graças a peças bucais adaptadas para perfurar e sugar.

As pulgas fêmeas põem ovos no hospedeiro 48 horas após a 1ª. refeição de sangue, cerca de 15 a 20 ovos por dia (aproximadamente 2.000 ao longo da vida) e esses são lançados fora do corpo do hospedeiro, em ninhos, covas, solo e até em carpetes e frestas de pisos. Deles em aproximadamente 12 dias, saem as larvas. As larvas se alimentam de dejetos, restos de pele e outros resíduos. Depois se transformam em pupas, que é a forma mais resistente.  Em condições propícias, temperatura, humidade e movimento, eclodem em pulgas, que é a forma adulta e procura um hospedeiro para alimentar-se.

As pulgas são parasitas externos e os animais podem pegar no ambiente ou de outros animais. Elas picam muitas vezes ao dia, o que causa muita coceira e algumas vezes alergia, feridas e queda de pelo.

 Curiosidades:
As pulgas não pulam no escuro;

As pulgas podem picar o homem, se não tiver nenhum cão ou gato por perto.

Os ovos de se desenvolvem no ambiente;

Os ovos das pulgas caem do corpo de um animal infestado, e são depositados nos locais ondem o animal circula, pavimentos, rodapés, frestas, gretas, tapetes, cestos, camas de dormir, cobertores, almofadas, sofás, bancos de automóveis, garagens, ...;

Os ovos em poucos dias passam a larvas, que se escondem em locais escuros;

Além da utilização de produtos antipulgas nos animais, é necessário cuidar do ambiente;

As larvas alimentam das fezes das pulgas, que é o sangue digerido;

O desenvolvimento das pulgas é mais rápido no calor. O seu ciclo pode durar 10 dias, enquanto no inverno 140 dias.

A pupa, a forma mais resistente da pulga, ajuda a manter infestações latentes, porque prolonga o seu ciclo;

Aspirador de pó não aspira pupa;

As pulgas vivem inteiramente em cima do cão ou gato;

A pulga é hospedeiro intermediário de um verme, Dipylidium caninum;

Dipylidium caninum é um verme intestinal, instalam-se no aparelho digestivo e trazem riscos para os animais e para o homem;

Os animais podem ingerir as pulgas pelo hábito de coçar;


O homem pode ingerir uma pulga acidentalmente, através do hábito de espreme-la entre as unhas;

domingo, 5 de janeiro de 2014

A importância do vocabulário

Quando entrei para a faculdade era o cúmulo do absurdo falar de forma inadequada. Trocando em miúdos, não podia em hipótese nenhuma relatar que um animal estava com os filhotes agarrados, o professor queria ouvir da gente que a fêmea enfrentava um parto distócico. 

Outro erro muito comum na área da parasitologia, que irrita profundamente os pesquisadores e cientistas é falar que o vetor da leishmaniose visceral é um mosquito. Nunca foi mosquito, porque o ciclo do mosquito é diferente do flebótomo, e tem mais é comuníssimo dizer parasita para a Leishmania sp., o que também está errado, porque parasita na maioria das vezes trabalha em Brasília, o certo é parasito.

Há ainda muita controvérsia sobre se o animal tem sinais clínicos ou sintomas. Sinal é aquilo que pode ser percebido por uma pessoa e sintoma é a queixa relatada pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Como nosso paciente animal ainda não fala ele tem sinais clínicos.

Ahh tá!....

Então quando fui fazer meu primeiro termo de consentimento livre e esclarecido levei um tapa de luvas. Tinha que escrever de forma que qualquer pessoa entendesse o que estava escrito. Fiquei frustada, porque tive que escrever “mosquitinho” para o vetor da leishmaniose.



Mas isso tudo me ajudou a me posicionar o meu modo de falar diante do meu cliente. Quando explico as coisas será que ele está me entendendo? Não adianta nada eu gastar nos termos técnicos e o meu cliente não entender nada.