domingo, 5 de janeiro de 2014

A importância do vocabulário

Quando entrei para a faculdade era o cúmulo do absurdo falar de forma inadequada. Trocando em miúdos, não podia em hipótese nenhuma relatar que um animal estava com os filhotes agarrados, o professor queria ouvir da gente que a fêmea enfrentava um parto distócico. 

Outro erro muito comum na área da parasitologia, que irrita profundamente os pesquisadores e cientistas é falar que o vetor da leishmaniose visceral é um mosquito. Nunca foi mosquito, porque o ciclo do mosquito é diferente do flebótomo, e tem mais é comuníssimo dizer parasita para a Leishmania sp., o que também está errado, porque parasita na maioria das vezes trabalha em Brasília, o certo é parasito.

Há ainda muita controvérsia sobre se o animal tem sinais clínicos ou sintomas. Sinal é aquilo que pode ser percebido por uma pessoa e sintoma é a queixa relatada pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Como nosso paciente animal ainda não fala ele tem sinais clínicos.

Ahh tá!....

Então quando fui fazer meu primeiro termo de consentimento livre e esclarecido levei um tapa de luvas. Tinha que escrever de forma que qualquer pessoa entendesse o que estava escrito. Fiquei frustada, porque tive que escrever “mosquitinho” para o vetor da leishmaniose.



Mas isso tudo me ajudou a me posicionar o meu modo de falar diante do meu cliente. Quando explico as coisas será que ele está me entendendo? Não adianta nada eu gastar nos termos técnicos e o meu cliente não entender nada.